
Todos concordamos... autoridade sem empatia cria distância e empatia sem autoridade só cria ruído.
Definitivamente, na prática veterinária, liderar é conseguir sustentar os dois mundos, em paralelo, pois a liderança clínica não acontece só escritório, acontece na consulta, no bloco, na urgência, na conversa difícil com o tutor.
E num setor onde o paciente não fala e o tutor passa a mensagem que quer, guiando em grande parte a execução da equipa, liderar passa a ser muito mais do que gerir pessoas, tecnicamente falando.
É muito mais alinhar decisões clínicas, emoção e pressão, a maioria das vezes em tempo record.
1️⃣ A Autoridade não vem do cargo
Ser sénior não chega. Na prática, a equipa segue quem:
decide com critério
explica o racional clínico
mantém consistência sob pressão
assume responsabilidade nos momentos difíceis
A literatura em liderança clínica aponta exatamente para estes pilares: competência percebida, comunicação clara e coerência entre discurso e prática.
Quem explica bem, lidera melhor.
2️⃣ Empatia é uma ferramenta clínica
Não é simpatia. É impacto direto e visível no resultado.
melhora a relação com tutores
aumenta adesão ao tratamento
reduz conflito e fricção
Mas há um limite.
Num setor exposto a burnout e fadiga por compaixão, empatia sem estrutura desgasta rapidamente, algo amplamente discutido por entidades como a AVMA e na literatura recente sobre bem-estar veterinário.
Empatia "útil" tem limites claros.
3️⃣ O erro está nos extremos
Nem autoritarismo. Nem permissividade.
liderança rígida >> medo, silêncio, menos reporte de erros
liderança branda >> confusão, injustiça, perda de respeito
O equilíbrio aproxima-se do conceito de segurança psicológica: equipas que podem falar, questionar e falhar, sem medo, mas com exigência clara, conceito desenvolvido por Amy Edmondson (Profª em Harvard, conceito de segurança psicológica) e aplicado à saúde.
Exigência + segurança = equipas mais saudáveis.
4️⃣ O peso emocional da veterinária não é detalhe
Há decisões que não aparecem nos protocolos:
eutanásia
limitações financeiras
tutores em sofrimento
equipas sob pressão constante
A profissão veterinária apresenta níveis relevantes de burnout e desgaste emocional, com impacto direto na prática clínica.
E em contexto europeu, cerca de 86% dos profissionais reconhecem impacto da eutanásia na sua saúde mental.
Aqui, liderança não é propriamente técnica. É presença.
O QUE FAZER, NA PRÁTICA (conselhos práticos da nossa comunidade)
clarificar critérios clínicos e decisões
explicar, não apenas decidir e já está.
dar feedback direto em tempo útil
criar um espaço seguro para a equipa falar
usar estruturas como SBAR ou debriefings
normalizar conversas difíceis (clínicas e emocionais)
Pequenos ajustes. Impacto gigante na motivação da equipa.
Em resumo:
Na veterinária, liderar não é impor-se. É manter critério quando há pressão, protegendo a equipa sem baixar a exigência.
É conseguir que as pessoas confiem… mesmo quando o mundo lhes pesa toneladas nas costas.
E a sua equipa cumpre… ou confia?
🟢 SOPRO. Juntos, somos confiança.








