
Nutrição e Suplementos Pet: o que mudou nos últimos 15 anos?
Em apenas década e meia, a nutrição pet deixou de ser “comida para animais” para se tornar um dos pilares clínicos mais relevantes da medicina veterinária.
O que mudou não foram apenas ingredientes, mudou a ciência, a perceção do tutor e o próprio papel das clínicas.
Uma viagem no tempo:
Entre 2010 e 2015, cães e gatos eram alimentados sobretudo com rações padrão, escolhidas por preço, hábito ou conveniência. A suplementação era residual, reservada a situações pontuais.
Hoje, a Península Ibérica vive uma fase madura da nutrição funcional: microbioma, alergias, peso, mobilidade, saúde cutânea e envelhecimento são temas estruturantes, sustentados por nova evidência, pressão regulatória e um tutor cada vez mais informado.
Dados recentes mostram esta viragem: na última década, o mercado ibérico valorizou muito acima do volume, prova de que o decisor passou do “barato” para o “adequado”.
Fontes: Euromonitor International (2024); FEDIAF Annual Report (2023); NielsenIQ Pet Trends Iberia (2024).
1️⃣ Do alimento “standard” à nutrição funcional de precisão
Durante anos, uma ração completa cumpria a função nutricional básica. Hoje, os tutores procuram, e as clínicas recomendam, alimentos adaptados ao organismo e não apenas à espécie.
O que mudou:
De calorias → para microbioma, digestão e imunidade.
De “um alimento para todos” → para necessidades específicas (sensibilidades, peso, renal, dermatologia).
De ingredientes genéricos → para listas curtas, rastreáveis e sem aditivos supérfluos.
Impacto clínico: a nutrição passou a ser ferramenta de prevenção, estabilização e até de apoio terapêutico, reduzindo episódios gastrointestinais, prurido recorrente e instabilidade metabólica.
Fontes: Barko et al., Journal of Animal Science (2018); Pilla & Suchodolski, Vet Clin North Am (2019); EFSA Feed Safety Reports (2022–2024).
2️⃣ Proteínas alternativas, transparência e sustentabilidade
A inovação deixou de vir apenas da formulação. Hoje, a origem importa tanto como o nutriente.
Tendências chave:
Proteínas alternativas: inseto, leguminosas, microalgas e fermentados como resposta a alergias e sustentabilidade.
Economia circular: valorização de subprodutos de alta qualidade nutricional.
Clean label: rótulos claros, poucos ingredientes, eliminação de corantes e conservantes artificiais.
Em Portugal e Espanha, a aceitação destas soluções aumentou, sobretudo nos segmentos premium e terapêuticos, acompanhando a maturidade de um tutor mais exigente.
Fontes: European Pet Food Industry Federation (FEDIAF, 2023); EFSA Novel Foods Opinions (2021–2024); MAPA España — Informe Industria Petfood (2024).
3️⃣ Snacks funcionais: de recompensa ocasional a ferramenta clínica
Há 15 anos, os snacks eram biscoitos simples, muitas vezes calóricos, usados como mimo.
Hoje são parte do plano de saúde do animal.
Evoluções decisivas:
Texturas e formatos que facilitam adesão.
Funções específicas: digestão, mobilidade, ansiedade, saúde oral, controlo de peso.
Veículos de suplementação (probióticos, ómega-3, fibras solúveis).
Nas clínicas, passaram de “extra” para extensão prática da consulta, sobretudo em prevenção e gestão de doença crónica.
Fontes: Euromonitor Pet Snacks Europe (2023); WSAVA Nutrition Guidelines (2022); ESVCE Behavioural Insights (2021).
4️⃣ O novo tutor: entre a emoção e a prevenção
A humanização consolidou-se. O tutor vê o animal como membro da família e toma decisões com base em bem-estar, longevidade e aconselhamento clínico.
Hoje observa-se:
Maior tolerância ao preço quando o valor percebido é prevenção.
Adoção de soluções premium, mesmo em contexto inflacionário.
Interesse crescente por suplementos como extensão do cuidado diário.
Este comportamento explica porque o mercado cresce em valor muito acima do volume: não só se compra mais mas também compra-se... melhor.
Fontes: IPSOS Pet Owner Mindset Iberia (2024); GfK Pet Sector Insights (2023); Consumer Shift Report – Pet Parents Europe (2024).
5️⃣ Regulamentação: mais rigor, mais clareza, menos espaço para alegações fáceis
O enquadramento europeu tornou-se mais exigente:
Regras claras entre alimento completo, complementar e dietético.
Maior escrutínio sobre alegações funcionais e linguagem técnica.
Pressão por rastreabilidade, sustentabilidade e rotulagem transparente.
Zonas cinzentas persistentes nos suplementos e nutracêuticos, onde clínica e evidência precisam de guiar decisões.
Para as clínicas, isto traduz-se em segurança, mas também responsabilidade no aconselhamento.
Fontes: Regulamento (CE) 767/2009; Regulamento (UE) 2025/40 (embalagens); EFSA Feed Additives & Claims Dossiers (2019–2024).
6️⃣ Micoterapia: eficácia clínica e segurança comprovada
A micoterapia (cogumelos) evoluiu de “alternativa” para uma ferramenta terapêutica de valor acrescentado.
Novos ensaios clínicos confirmam que o uso de extratos padronizados não só melhora a tolerância aos tratamentos convencionais, como potencia resultados visíveis:
Aumento significativo das taxas de remissão e sobrevida em oncologia (como demonstrado em CCE felino).
Controlo eficaz do prurido e regeneração da barreira cutânea na dermatite atópica.
Uma solução segura e sinérgica, validada para elevar o sucesso do protocolo clínico.
Fontes: Peña, S. (ULPGC): Eficácia de Hifas Onco Pet em CCE tratado com EQT (2024); Peña, S.: Micoterapia tópica como adjuvante na Dermatite Atópica Canina (2024).
Em 15 anos, a nutrição pet deixou de ser uma escolha de prateleira para se tornar uma decisão clínica.
Hoje, alimentar é mais do que nutrir: é prevenir, proteger e acompanhar o animal ao longo de todas as fases da vida.
A SOPRO acompanha esta evolução com curadoria técnica rigorosa, rastreabilidade e apoio especializado às equipas clínicas.
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Boa semana. Boas práticas.
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